Cinco minutos pode ser tempo suficiente para esquecer um passado e procurar viver no presente. Tempo suficiente para tornar aquecido um coração gélido. Não duvide, o tempo dos apaixonados corre lentamente, o ponteiro do relógio pára de contar, quando dois enamorados se encontram. A natureza, as circunstâncias, tudo conspira a favor do ser amado.
É loucura acreditar que a quantidade de tempo determina a intensidade do encontro. O que delimita é a forma como dois corações se entrelaçam, pois, o tempo até aproxima as pessoas uma das outras, mas, somente o amor as unem.
Ela precisava de cinco minutos para aquecer seu coração e continuar o seu destino. Ele, porém, precisava de todas as horas.
Não há certo e errado nessa relação, é um campo onde não há culpados, pois, o amor, quando surge, se revela por completo, e nem sempre os dois estão prontos para viver o momento na mesma sintonia.
Não há como determinar quem mais ama. O amor se manifesta de várias formas e, muitas vezes, da maneira mais estranha e descabida.
É mesmo difícil entender essas coisas do coração, elas deveriam vir com manual de instrução detalhando cada procedimento a ser executado. Ou não, talvez a magia do amor esteja aí, em tentar decifrar o "código do amor". As duas pseudo-formas de entender o amor têm seu encanto. A primeira, pela simplicidade, ao passo, que a ultima, seduz-me pela sua maneira misteriosa de se apresentar.
Viver à margem do certo e do errado, do bem e do mal, da santidade e do profano. Uma volúpia leviana que confunde o tempo e faz embaralhar nossas convicções, fazendo de nós, num só instante, o tudo e o nada, o branco e o negro, o yin e o yang.
Mistérios do amor, da paixão, da loucura, porque todos estes sentimentos ou, condições, se misturam, se confundem, se resolvem.
É perigoso viver de forma inebriante, mas, viver sem extasiar-se não é viver. Por isso, permita-me usufruir dessa loucura alucinógena.
Talvez por isso ela entendesse a vastidão dos cinco minutos que lhe restavam. Ele, na sua forma de querê-la, desejava latentemente que todas as horas fossem suas.
Um ardente beijo já era válido para aquecer uma alma. Ela acreditava nisso.

5 comentários:
Será... Belo texto. Uma abraço caloroso.
Domingos CAlixto
Ratifico que, ela acreditava nisso...(risos). Como disse a Clarice Lispector em, A Hora da Esctrela "Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam".
Obrigada pelos comentários. Continue colaborando com minhas ideias.
Um beijo.
Lindoooooooooooooo texto.
Suas palavras fizeram-me lembrar de um bolero chamado "O relógio", que diz assim:
"Relógio, não marques as horas!
Porque vou enlouquecer...
Ela se irá para sempre
quando amanheça outra vez.
Somente nos resta esta noite,
para viver nosso amor.
E teu 'tic-tac' me lembra,
minha irremediável dor.
Relógio, detém o tempo em tuas mãos!
Faz esta noite perpétua.
Para que nunca vá embora de mim...
para que nunca amanheça!".
Seu fã
PS: quem quiser conferir o bolero, pode ouví-lo em http://www.youtube.com/watch?v=8be5pmO_G_M
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