“Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre”. A Clarice Lispector me descreve, compreendo cada palavra de seus versos como se meus fossem.
Hoje, ao entrar em meu Orkut, fiquei revendo algumas coisas e, entre elas, revi o “depoimento” de uma querida amiga. Copio parte do depoimento, não vou ao menos, me dar o trabalho de transcrever: “...És uma pessoa de personalidade forte, e de garra, que faz e acontece -> isso torna-te uma pessoa muito especial, pois é um exemplo para muitos!!”.
Eu até me identifico com suas palavras, mas esta parte final me incomoda profundamente - ser exemplo para muitos. Exemplo não pode errar e, caso isso aconteça, ficará muito feio. "Pega mal". Sempre ouvi pais dizerem: “seja igual às filhas do seu João, elas são bons exemplos.” Ou mesmo, “ Com as filhas da Dona Antonia você pode ir a festa, elas são meninas ‘direitas’”. Gente, isso me causa arrepios.
Não sou “menina direita”, “nem torta”, muito menos "de esquerda". Não sou puta nem santa. Sou eu. Uma moça que faz quase tudo que as outras moças de sua idade faz. Cheia de defeitos e virtudes. Que vive a vida ao extremo e com intensidade. Talvez seja essa a forma das coisas não darem certo ou, quando dão certo, dão muito bem certo. Não existe mágica, a vida é o reflexo dos seus atos.
Saudades do tempo que em eu tinha uma varinha de condão e sentia-me uma fada. Não tinha que servir de exemplo para ninguém, era o que a minha imaginação quisesse que fosse. Hoje, se alguém me perguntar quem sou eu, juro que responderei: “não sei, se você souber quem eu sou, por favor, avise-me”. Ou ainda, “ você anda curioso para saber quem eu sou? Coincidência, eu também.” Não é charminho não, é a mais pura realidade dos fatos.
Eu não sou perfeita, não sei tudo o que quero, nem sempre minhas escolhas dão certo, aliás, eu não tenho a mínima vocação para isso... sou chata ao extremo, odeio ao extremo, mas também sei amar ao extremo e ser leal ao extremo. Sou tão intensa e metódica que chego a ser robótica. Sim, faço as mesmas coisas todos os dias. Vou pelos mesmos caminhos. Até repito os mesmos erros. Me apaixono e juro todas as vezes que não vou mais me envolver... Essa é a única promessa que não costumo cumprir, portanto, já estou parando de fazer esta promessa.
E assim sigo o meu destino. Tão sozinha perdida em mim. Tão acompanhada da minha presença, que ora chego a sentir a minha ausência mesmo estando presente, ora embriagar-se com a minha presença mesmo estando ausente.
Minha vida é assim - um caos. Metade calmaria, metade turbulência. Metade areia, metade rocha.
Minha vida é assim - um caos. Metade calmaria, metade turbulência. Metade areia, metade rocha.
Mas, não se preocupe nem se antecipe, pois, como tudo em mim é transparente, você vai notar a fase que estou vivendo, sem nenhuma dificuldade.
Não me exija amor se você não está pronto a amar-se primeiro, e quem sabe, em segundo lugar amar-me. Nesses casos eu aceito o segundo lugar, porque não suportaria a ideia de amar quem não se ama primeiramente. E se você não está pronto para voar livremente comigo, então não me faça promessas de que vai levar-me às alturas, porque, sinceramente, isso me aborrece e faz-me perder a confiança em você.
Eu falo demais, não é? Eu sei, eu me exponho. Falo o que penso e quase sempre quebro a cara. Essa mania idiota me persegue, faz parte das minhas entranhas. Infelizmente, não sei ser morna. Comigo não tem meios termos - ou é, ou não é. Nas palavras da Clarice Lispector: “ou toca, ou não toca”. Por isso eu falo demais. Um dia serei um túmulo. Um dia.

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