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quarta-feira, julho 21, 2010

A morte por um fio

Sabe aquela história de que quando estamos perto da morte passa como um filme todas as cenas da sua vida? Acredite. É verdade. Quem já passou por essa situação sabe do que estou falando.
Hoje tive a amarga experiência de passar por isso. A duração foi de uns 40 segundos, mas, o ‘filme’ foi uma longa metragem. Então, pensei: e minha família, como vai ficar? E minha carreira profissional, agora que ingressei no mercado de trabalho e comecei a realizar os meus sonhos. E meus amigos o que vão dizer? Sugeri: - Como pode uma menina tão inteligente morrer dessa forma estúpida. Logo ela que não se expõe a perigos. E meus inimigos, o que será que pensariam? Sugeri: - Coitada, quando começou realizar os seus sonhos, se matou.
É isso mesmo, se matou, porque se submeter àquela situação é se matar.
Até nessas horas os inimigos falam com mais franqueza, por isso escuto-os sempre, eles sabem exatamente onde você pode melhorar. Só os tolos não dão ouvidos a isso. Muitas vezes, ter inimigos é bom, eles te ajudam a crescer, ainda que indiretamente.
E minha mãe, perder uma filha, que dor terrível. Pensei em tudo. Inacreditável como em 40 segundos, aproximadamente, você consegue pensar até em seus inimigos. Pensei muito em Deus, não pedi perdão pelos meus pecados, porque ainda acreditava viver, pedi apenas proteção. Muita proteção. Era o mais importante nesse momento. Foi o que mais pedi.
Não queria morrer, ainda mais daquela forma tão grosseira. Iria ter vergonha de que soubessem que morri daquele jeito. Isso é o que mais me angustiava.
Foi aí que pensei no quanto eu me preocupo com o que os outros vão pensar a meu respeito. Ainda que morta. Sem falar na vaidade em demasia, no aviso que já dei aos meus familiares que, quando morrer, quero que meu caixão fique fechado, pois não quero que me vejam pela ultima vez com cara de sofrimento ou, seja lá o que for. Prefiro que me vejam como sou agora, não que seja muita coisa, mas, é isso que sou verdadeiramente. A morte quase sempre desconfigura as pessoas. Por isso não suporto vê-las mortas.
Depois de sessado o perigo, comecei a refletir sobre a minha vida e a agradecer a Deus pela sublime proteção. Pensei no quanto tenho e pouco dôo, na vida belíssima que possuo e, muitas vezes reclamo.
Como não sabia nem onde estava, perguntei a uma moça que ali se encontrava, se naquele local passava algum ônibus que fosse para “W3 Norte” e ela respondeu que sim. Que o “zebrinha” passava. O primeiro que vi entrei, ela disse: “não é esse o seu”, como se dissesse, coitada, mal sabe ler. Respondi: “qualquer um serve, quero é sair daqui, depois pego outro” Nem lembro se agradeci. Pensei e falei para mim. “não suporto esse cheiro de morte.” Neste momento, tomei o ônibus, melhor, o zebrinha e, fui feliz (coisa que nunca aconteceu antes), dando graças a Deus pelo Dom da Vida.

3 comentários:

Titi disse...

Que isso, nem pensa em morrer. Tá proibida.

Anônimo disse...

Até falando da morte você coloca vida... mais é linda! Bjus. Guga.

Juzinha disse...

Não quero morrer não, gente! Já passou o perigo. Estou vivinha aqui, olha!!! Rsss. Obrigada por existirem e fazerem parte do meu mundinho. Beijos.