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domingo, julho 25, 2010

Livre-arbítrio

Ontem, em mais um dos meus estudos do Apocalipse, alguém tocou na questão do livre arbítrio. Fantástico! Sempre gostei de saber que sou livre para escolher aquilo que me convém. Ter opção, ter escolha... isso sempre me seduziu. Queria mesmo era tomar as minhas decisões, ainda que fossem as piores possíveis.

Lamentavelmente descobri que, o que eu gosto é ser livre para escolher, mas o fato de ter que tomar a bendita decisão não me deixa nada animada. Ter que escolher entre uma coisa e outra, uma pessoa e outra..é tarefa para gigantes. Abrir mão das coisas ou das pessoas que gostamos é mesmo uma tarefa árdua.

 Bom mesmo era a época em que a Mamãe e o Papai escolhiam tudo por mim; a minha roupa, o meu calçado, a minha escola, e até os meus amigos. Sim, “era feliz e não sabia”. Hoje eu provejo meu sustento, tenho responsabilidades, escolho o que estudar, vejo o tema do meu artigo científico, enfim, sou “dona do meu nariz”. Tenho o que sempre quis. Não foi isso que sempre desejei? Agora tenho, e já faz muitos anos que possuo... Cansei! Confesso que queria voltar como antes. Ter a minha vida resolvida pelo papai e pela mamãe, com tanta sabedoria e agilidade que, sempre acreditei que eles fossem oniscientes e onipotentes.

Pobres Pais, tão frágeis e falíveis como eu. Agora vejo suas limitações. Perdi muito da fé que tinha em meus Super-heróis. Sinto-me como uma criança desmamada.

O livre-arbítrio tão desejado anteriormente agora me apavora. Diz-me que eu sou totalmente livre para tomar minhas decisões, porém, como tudo na vida tem um preço, tenho que arcar com as conseqüências delas. Presente grego este. Ou não. Deus não queria que fossemos como marionetes, manipuladas por ele, assim, trouxe-nos ao mundo para que soubéssemos tomar nossas decisões e segui-lo caso desejássemos seguir. Mas, independente do conceito de bom ou ruim, obrigada Senhor pela sua generosidade. Quem sou eu para questionar as tuas obras. O importante é que nos deste o livre-arbítrio, se assim não fosse, ao colocar Adão e Eva no Paraíso, poderias muito bem proibi-los de comer do fruto da árvore do bem e do mal ou, até mesmo, poderia extrair a árvore de lá, mas o Senhor deste a seguinte ordem: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Neste momento nos deste o livre-arbítrio; e se nos deste, é porque sabe que somos capazes de tomar as nossas decisões e seguir os nossos caminhos, por onde quer que andemos.

Agora, por meio da ciência, da religião e demais ramos do conhecimento lanço a seguinte dúvida: A vontade do homem é livre ou viciada? Você acredita em determinismo? Ou seja, posso atribuir a culpa das minhas más escolhas a alguém ou a alguma coisa? O lado bom de acreditar que sim é que podemos nos esconder e não assumir as nossas infelizes decisões. O lado ruim é que vamos ser escravos de quem nem sabemos, poderia chamar de escravos do acaso, ou até mesmo de nós mesmos. Viver sempre como vítima. Nós nos possuímos e nós nos escravizamos. Somos donos de nós e ao mesmo tempo escravos de nós mesmos? Donos parcialmente de si e escravos das nossas escolhas, diria!. Complexo, não? É nisso que dá estudar o apocalipse sábado à noite.
 Sábado que vem tem mais. Vamos estudar?

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