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quinta-feira, dezembro 21, 2006

Pequeno trabalhador



Ontem fui ao Shopping fazer compras de Natal, me pareçe que todas as pessoas de Brasília tiveram a brilhante idéia de irem às compras no mesmo horário e no mesmo Shopping. Que confusão. E olha que não tinha nenhuma promoção do tipo leve três e pague um, nem liquidação de "tudo pela metade do preço", mas as filas, os caixas, as lojas, estavam um verdadeiro terror. É Natal, devemos manter o espírito da época... Não tive paciência para cumprir meu desafio, fui embora sem realizar minha tarefa, pois se tem uma coisa que não gosto é disputar um lugarzinho para conseguir pôr meu pé, e tirar a tempo que alguém ocupe o mesmo lugar, pois naquele ambiente a lei da física foi totalmente deturpada. Se Isaac Nilton estivesse vivo iria ver que era possível sim dois corpos ocuparem o mesmo lugar no espaço...Calma, não exatamente dessa forma...mas é que estava uma loucura. Tadinho dos meus pezinhos, como foram pisoteados. Bom, se algum eventual leitor estiver apreciando o meu texto, deverá estar se perguntando o porquê dessa imagem aí e o porquê do título se eu estou falando das minhas compras. Aconteçe que quando estava voltando das compras, melhor, do shopping, vi um garotinho de aproximadamente 5 anos, vendendo balinhas para garantir o seu sustento. Mas isso não foi nenhuma novidade, pois as quadras de Brasília estão cheias de pequenos trabalhadores, o que me chamou atenção foi a forma como aquele garotinho encarava o seu trabalho. Com um sorriso contagiante, uma carinha esperançosa de que dias melhores virão, e uma educação que ainda não tinha presenciado nesses meninos que exercem esse tipo de função. Veja a forma como fui abordada. - Oi! A Sra. pode comprar pra me ajudar? Dois por um real. Achei tão bonitinho que quis trazê-lo pra mim. Comprei suas mercadorias. Confesso que não gosto muito de comprar algo assim, e seus docinhos nem eram tão bons, mas comprei para ajudá-lo e pra ver desabrochar o seu sorriso ainda mais belo. Engraçado que quase 90% das pessos que estavam naquele ônibus compraram. Não atribuo as boas vendas ao espírito natalino, sim a sua alegria contagiante. Aquele garotinho me deu uma lição de vida. Estava chateada só por não poder me locomover com comodidade, enquanto tudo o que ele queria era trabalhar para se alimentar, viver sua inocência, e seguir sua sofrida infância.

Um comentário:

Anônimo disse...

Lindo texto