Pesquisar este blog

sábado, dezembro 23, 2006

Pelas ruas de Brasília..


Andar pelas ruas de Brasília não tem sido fácil, ainda mais nesse período de festas de fim de ano, onde muitos migram para esta cidade a procura de melhores condições de vida. Infelizmente muitos têm sido surprendido com a fome, a dor, e a miséria. A dor alheia me comove. Não sei se é defeito ou qualidade, mas me comove. Hoje fui fazer compras de Natal e aproveitei para comprar doces para meus sobrinhos. Passei em um lugar que vende doces em atacado, fiquei como criança na Disney. Encantada! Estava no caixa pagando meus doces, quando aproximou de me uma menina franzina que aparentava ter uns 7 anos de idade me pedindo que comprasse um doce para ela. " tia, compra um doce pra mim", disse ela com uma voz tênue. Olhei para ela em seus olhos e perguntei "qual doce você quer?" Notei uma certa confusão na sua escolha. Não estava mesmo fácil escolher um doce naquela doçaria, além das várias tentativas sem êxito, certamente já estava perdendo a esperança de ganhar seu doce, mas prontamente me respondeu. "esse". Perguntei "tem certeza?" ela me respondeu afirmativamente. Solicitei que incluísse em minha lista, e quando contabilizado lhe entreguei. Ela não agradeçeu, apenas deu um iluminado sorriso e falou para uma outra criança maior "olha o que ganhei". Estava apressada e não pude observar mais o que aconteçeu daquele encontro, mas me senti feliz em ver um sorriso na façe daquela criança. Na volta pra casa encontrei um rapaz que devia ter uns 35 anos, talvez menos, mas a sua situação miseravel não permitia ter uma aparência jovial. Estava sujo, barba por fazer, debruçado em uma lixeira daquelas enormes onde a coletividade joga seus detritos. Logo encontrou um pedaço de pão velho com uma pasta amarela que não pude identificar o que seria. O cheiro daquele ambiente próximo a calçada onde caminhava era tamanho que mudei meu percurso. Confesso que fiz isso com lágrimas nos olhos. Foi uma cena chocante, não sei se um dia irá apagar da minha memória. Nessas horas, quando eu calço os sapatos dos outros, que vejo como os meus são largos e confortáveis. Infelizmente vivemos em um país onde poucos têm muitos e muitos têm tão pouco. E pior, o Estado trata com desdém essa questão. Bom, não vou culpar o Estado, porque o Estado somos nós, logo a culpa é nossa. Não é fácil encontrar uma solução para acabar com a fome e a miséria mundial, reconheço que é uma tarefa árdua. Mas se você fizer sua parte, eu tenho certeza de que o mundo será melhor. E então vamos a luta?!.

2 comentários:

Anônimo disse...

Triste mas real e muito bom o texto.

Anônimo disse...

Não é feliz o povo que não ama! Infelizmente a maioria esmagadora das autoridades públicas e alguns setores privados encontram-se absortos em seus problemas próprios e nem sequer se dão conta do que em volta deles se passa. Gente que está na sarjeta. Gente que sofre o dissabor de ser chamado de "excluído". Gente que tem a expectativa de não saber se vai almoçar ou jantar, se é que podemos dizer que eles conhecem esses termos. Enfim, gente do Norte, do Sul, do Leste e Oeste que migram para o Centro-Oeste pensando eles que estar perto do "homem" que governa lhes poderia trazer algum consolo ou solução paliativa. Sim, poderia se eles enxergassem um palmo a frente do nariz. Pois estão preocupados com o futuro financeiro deles e não com a vida social dos famintos, miseráveis que estão jogados à própria sorte. Sem chances algumas de progredir. Num mar aberto de miséria criada pelo simples capricho dos mais fortes. A disparidade grande que os ricos mantém o montante longe do alcance dos pobres e miseráveis faz com que seja inalcançável esses últimos augurarem outro tipo de vida senão a de hoje: Catar comida no lixo. Apanhar os móveis de casa na lata de lixo. Esperar que alguém mais comovido pela sua situação esdrúxula lhe estenda a mão e dê nem que seja alguns centavos para que faça o seu desjejum, pois já passam das 15 horas da tarde. Isso é mais uma prova de que nossas autoridades são omissas, prometem, prometem e como sempre acabam olhando somente para o seu prato. Esquecem dos que mais necessitam. E nós o que fazemos? Estamos contribuindo para aumentar o número de famintos ou fazemos algo em pról da diminuição deles? A resposta está com cada um de nós. Parabéns a nossa querida amiga Jussiara pelo belo exemplo de dignidade e compaixão que deveria rondar a vida e coração de quem pode mais do que nós fazer algo vultuoso pelos miseráveis que migram pra capital federal. Um abço forte nessa menina batalhadora. Você Jú... Bjus!