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quarta-feira, janeiro 05, 2011

Muito além do quadro-negro


Seus olhos tinham um brilho peculiar, as maçãs do seu rosto saltavam aos olhos, mas eram os lábios que a atraiam. Ele era elegante, sorridente e atraente. Sua voz suave, seu olhar doce e misterioso. Tudo nele a seduz, a envolve como em um passe de mágica. Tudo lhe convida a idealizar. Ele era professor de literatura e lecionava há muitos anos. Ela era maior de idade, porém, muito jovem, e estava no seu último ano da faculdade.
Os olhos deles voltaram um para o outro, e naquele momento nada mais fazia sentido, senão, observar um ao outro. Aquelas aulas que no inicio não excediam a competência da matéria, agora se via prejudicada porque ela era o seu objeto de estudo. Ele queria saber cada vez mais a respeito dela, e não demorou muito para que a sua atenção fosse voltada cada vez mais para os seus lábios que, suavemente repousavam o seu dedo.  
Ele estava obstinado a descobri mais sobre a vida dela, e ela queria aprender cada vez mais sobre ele. Estavam enamorados, mas não sabiam como fazer com aquela situação, embora, pareciam tão maduros e seguros de si mesmos.

A sua presença lhe fazia bem e, na sua falta, seu coração apertava de saudades. Ela apareceu para colorir a sua vida que era somente voltada para o magistério. Ela apareceu como quem não queria nada e em um instante explodiu a sua vida de sensações para lá de agradáveis, tornando-a doce e cheia de mistérios, como o arco-íres que aparece para deixar extraordinário o céu, fazendo qualquer adulto contemplar como se criança fosse.
Numa noite fria, um convite ao encontro lhe foi feito, e como esperado, irrecusável. Ela foi ao seu encontro, e ao avistá-lo sentiu uma sensação indescritível. Uma vontade de abraçá-lo, de beijá-lo, de tê-lo e, nunca mais se afastar dele. Ele sempre mais contido, mais oponente, mais seguro, conteve a sensação do momento para não assustá-la, pois era o seu primeiro encontro e, caso as suas sensações a respeito de que ela também o queria não fossem verdadeiras, deveria moderar. Mas o desejo de tê-la era maior do que qualquer especulação, deste modo, aproximou-se dela, fez-lhe parar, e abriu o seu coração para ela.
Ela não acreditava muito em um amor de uma aluna e de um professor, pois sabia que muitas meninas iram as aulas quase que exclusivamente para namorar, sabia que aquilo não ia dar certo, que seria apenas mais uma aluna na sua lista interminável de alunas que o atraiam, além do mais, essa não era a sua intenção em uma sala de aula. Ela sempre foi uma boa aluna, sempre tirou notas altas, e constantemente era admirada pelos professores e colegas, mas dessa vez era uma admiração diferente. Não por ser uma aluna exemplar, mas, por ter algo que lhe envolvia, que lhe encantava. Era uma admiração com sabor de paixão.
Ela Temia ser atrapalhada em seu desempenho escolar, no entanto, a sua vontade de tentar era enorme, então ouviu tudo o que ele tinha a dizer.
Apesar de não acreditar naquele amor, resolveu dar-se uma chance, pois, no fundo do seu coração nutria uma pequena esperança de que algo poderia dar certo, apesar de temer ser desapontada, pois não era apenas mais um envolvimento, era algo que já fazia parte da sua vida: ir às aulas e encontrar com aquele Ser que lhe fazia, sem esforços, suspirar.
 Depois de ouvir tudo o que ele tinha a dizer, ela finalmente resolveu contar que também sentia-se atraída por ele, e que tinha vontade de beijá-lo. Nesse instante ele deu um longo suspiro de alivio, pois tinha receio de que ela não quisesse nada com ele e que não fosse corresponder às suas intenções. Ele disse para ela que não possuía vontade de beijá-la, mas, desejo, muito desejo de tocar os seus lábios e entrelaçar aos seus. Eles se abraçaram e se beijaram como se estivessem esperado por aquele momento a vida inteira. Eles não se importaram e mal se deram conta de que estavam se beijando no meio da rua.
Ele não podia ser visto aos beijos com uma aluna, não ficava bem para a sua postura de professor. E ela tinha um impedimento, estava noiva, ia casar-se mês após a sua formatura.  Nada disso foi o suficiente para conter aquele fogo avassalador, para conter aqueles lábios que agora se misturavam e aquela respiração ofegante que tomava conta daqueles corpos em perfeita sintonia.
Tudo parecia mágico, suas mãos passeavam pelo corpo dela, e agora eles estavam aprendendo mais um do outro.
Para conter a chama, ela resolveu parar por um momento e decidiu ir embora, ele, sem saber o que fazer, pediu seu contato telefônico, pois aquele era o seu ultimo dia de aula. Eles sabiam que aquilo não ia acabar bem, mas, continuavam naquele masoquismo.
Finalmente chegou o mês da sua formatura, e agora eles tinham certeza que não mais poderia encontrar-se. Eles aproveitaram a festa juntos, mas, agora, cada um com o seu par. Ela com o seu noivo, e ele já tinha outra, possivelmente, uma nova aluna. Ela já era passado. A festa acabou e, com ela, o seu rápido relacionamento.
Não, eles não foram felizes para sempre.

Um comentário:

Anônimo disse...

Que lindo texto, Jussiara!
Parabéns pela forma como se expressa. Vivi a experiência do romance. Maravilhoso, você está cada vez mais emocionante e cheia de vida. Lindo igual você.
Dani.